Florianópolis,
de 2009

Edição: 37 - Ano VI
Junho/Julho 2010
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O QUE FICA PARA 2010
ADALBERTO CAMPELLI
Engenheiro
Data: Dezembro/Janeiro 2010

Com a aproximação do final do ano, vão-se as esperanças de que alguma coisa boa possa acontecer no país dos petralhas. Infelizmente, o saldo da gestão do governo atual é altamente negativo, apesar dos quase 80% de opiniões favoráveis ao seu guia.

Além do mau hábito de colocar a culpa de todos os problemas existentes em governos anteriores e nos países ricos, responsabilizando-os pelas mazelas nacionais, o governo federal, imbuído de um ufanismo vazio e tendencioso, do alto de sua habitual modéstia cunhou o chavão “nunca antes neste país se fez tanto....” utilizado para promover tudo o que faz, independente do resultado.

A política econômica do atual governo não passa de continuação daquela iniciada no governo FHC, então execrada pela oposição da época (PT e Cia.), e que permitiu ao país sair de uma inflação anual de mais de 1000% ao ano (herança do governo Sarney). O bolsa-família, por sua vez, maior programa de aliciamento eleitoral do planeta, foi uma corruptela do bolsa-escola e do auxílio-saúde, criados no governo FHC, só que sem compromisso algum da parte do beneficiário, gerando total desestímulo ao trabalho, limitando-se a puro assistencialismo.

A política de empreguismo desenfreado, seguindo a velha cartilha getulista, implantado no atual governo “lulosindicalista”, gerou compromissos nefastos não só para esse como para os próximos governos. O aumento ocorrido nos gastos públicos já dá sinais significativos no desequilíbrio atual das contas do governo, ainda que o mesmo culpe a crise financeira mundial pela queda da arrecadação.A redução do IPI de alguns produtos, utilizando-se de critérios duvidosos do ponto de vista de política econômica, com o argumento de estimular o consumo, beneficia poucos setores e penaliza estados e municípios com queda de sua arrecadação. Além de fazer cumprimento com o chapéu dos outros, atinge apenas as classes de maior poder aquisitivo em detrimento das demais. O aparelhamento político do estado, provoca apenas o inchaço da máquina pública, estimulando a burocracia e a corrupção.

Em contrapartida, educação, saúde, segurança, estradas e aeroportos nunca estiveram em pior estado, apesar de todo o alarde feito através da propaganda maciça do governo. Relatórios publicados por instituições de nível internacional, atestam os péssimos índices alcançados por nossos estudantes, a precária situação da saúde pública e os alarmantes índices de insegurança em que vive a população. Em matéria de infra-estrutura, basta ver os relatórios sobre o andamento das obras do PAC e verificar a disparidade entre as metas propaladas e a realidade.

Para fechar o ano com chave de ouro, a gestão da política externa brasileira é um verdadeiro desastre. Capitaneada pelo Ministro de Relações Exteriores e tendo como ideólogo o assessor do presidente para assuntos internacionais, segue a orientação de uma esquerda retrógrada e superada, que só existe na Coréia do Norte, em Cuba e agora na Venezuela. Os dois últimos fatos protagonizados por nossa diplomacia, dando abrigo ao presidente deposto de Honduras e recebendo a visita oficial ( a convite) do presidente do Irã, cujos predicados políticos e democráticos são por demais conhecidos, dispensando maiores comentários, dão bem o sentido da maneira como os “megalonanicos”mentores da política externa brasileira pretendem que o país venha a participar como membro permanente do conselho de segurança da ONU, além de pensarem que, assim agindo, estão dando demonstração de força e prestígio internacional.

Na esfera local, não há como deixar de comentar o absurdo dos gastos efetuados pela PMF para aquisição de uma árvore de natal de 60 m. de altura a um custo da ordem de 3,7 milhões de reais bem como para trazer o tenor italiano Andrea Bocelli para uma única apresentação no Av. Beira Mar, a um custo superior a 3 milhões de reais. Mais uma demonstração da megalomania de administradores públicos e políticos nacionais, promovendo às custas do dinheiro do contribuinte (otário), um espetáculo duplo de “circo” sem pão. Esqueceram-se de perguntar ao povo, principalmente aos menos favorecidos se, numa cidade carente de segurança, atendimento à saúde, falta de ensino de qualidade, com um dos piores índices nacionais de mobilidade social, com ruas em condições críticas, a começar pela própria avenida beira-mar, sem um aeroporto decente, esses gastos poderiam ser considerados prioritários ou sequer admissíveis.

É por essas e outras que continuamos a ser o país do atraso, principalmente mental, com o que contam os políticos e administradores públicos, em sua imensa maioria, para continuarem a agir com a mais absoluta consciência de total impunidade e desprezo ao eleitor.
FELIZ NATAL e que Deus nos proteja em 2010.



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